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Fabricio Mazocco - Publicado em 03-09-2026 13:00
Webinar sobre Ensino de Matemática para Educação Básica está disponível
Webinar pode ser conferido na íntegra (Imagem: Divulgação)
Webinar pode ser conferido na íntegra (Imagem: Divulgação)
No mês de volta às aulas, professores costumam buscar recursos para planejar o ensino. Foi para apoiar esse momento que o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE), sediado na UFSCar, promoveu o webinar "Conversas INCT-ECCE - Ensino de matemática para turmas diversas: o que nossas pesquisas podem oferecer". Exibido em 26 de agosto de 2026, o encontro está disponível no YouTube.

Dedicado a professores da educação básica, o encontro reuniu dois pesquisadores: Ailton Paulo Oliveira Júnior, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), e João dos Santos Carmo, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), ambos integrantes do INCT-ECCE. A iniciativa integra os esforços do instituto para aproximar o público geral dos conhecimentos produzidos por seus pesquisadores e, assim, contribuir para professores enfrentarem desafios concretos da sala de aula. 

Um dos desafios discutidos foram as lacunas em habilidades pré-aritméticas, que dificultam a aprendizagem de operações matemáticas, como somar e subtrair. Outro desafio citado foi a diversidade de repertórios dentro de uma mesma turma, que exige do professor diferentes formas de mediação. Os especialistas também apontaram o ensino mecânico e descontextualizado como obstáculo, especialmente na estatística. A esses fatores soma-se a ansiedade e a aversão à matemática, que também entraram na pauta.

Para lidar com a ansiedade matemática, Carmo destacou como conotações negativas associadas à disciplina podem ser identificadas e trabalhadas em sala, aproximando as aulas de atividades lúdicas e do cotidiano dos alunos. Já Oliveira Júnior defendeu o letramento estatístico a partir de situações reais, propondo o ciclo investigativo - que parte de uma pergunta do cotidiano, passa pela coleta e organização de dados e termina na interpretação dos resultados - como alternativa ao ensino descontextualizado de médias, fórmulas e gráficos. Para turmas com níveis diversos de conhecimento, foram recomendadas a tutoria entre pares, a resolução de problemas em pequenos grupos com mediação do professor e, quando possível, aulas de reforço no contraturno.

Os especialistas alertaram ainda contra rótulos precipitados: diante de um aluno com dificuldades, é preciso primeiro avaliar se a metodologia de ensino é adequada e bem aplicada, antes de atribuir o problema ao estudante. Por fim, o webinar ressaltou o papel da família, sugerindo o envolvimento de pais em pequenas tarefas escolares feitas em casa e a substituição de frases como "você não sabe" por "você ainda não sabe", mudança que ajuda a preservar a autoestima e reforça a ideia de que a dificuldade é temporária.

Professores interessados em aprofundar essas estratégias podem assistir ao webinar na íntegra no YouTube.