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Fabricio Mazocco - Publicado em 04-08-2026 09:00
Pesquisa da UFSCar e Embrapa beneficia a agricultura sustentável
As pesquisadoras Brondi, Farinas e Ferreira (da esq. para dir.) (Imagem: Yasmin Nunes)
As pesquisadoras Brondi, Farinas e Ferreira (da esq. para dir.) (Imagem: Yasmin Nunes)
O Trichoderma harzianum é um fungo bem conhecido na área da pesquisa agrícola que vem sendo utilizado como agente de biocontrole - combate fitopatógenos (organismos que podem causar doenças às plantas), estimula o crescimento e aumenta a absorção de nutrientes. Mas ele tem um problema: a sua fragilidade após o armazenamento, principalmente com o contato com fertilizantes químicos. Poucos sobrevivem.

Para solucionar este problema, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Embrapa Instrumentação criaram uma matriz polimérica biodegradável à base de celulose para encapsular o fungo, protegendo-o por meio de um revestimento, aumentando sua durabilidade.

O trabalho foi conduzido por Cristiane Farinas, da Embrapa Instrumentação e docente credenciada no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química (PPGEQ), junto com Aline Ferreira, mestra e atual doutoranda, e Mariana Brondi, egressa do doutorado, ambas também do PPGEQ. Para o desenvolvimento dos estudos, foram consideradas as características do fungo e, com a a união de insumos, foi possível a aplicação simultânea, o que não ocorria antes pela incompatibilidade entre os componentes. 

De uma forma resumida, foi feito o encapsulamento do fungo Trichoderma harzianum em uma matriz polimérica de carboximetilcelulose (CMC), um derivado da celulose, reforçado com nanocristais de celulose (CNC). Nessa solução são adicionados os esporos do fungos e, em seguida, borrifada sobre os grânulos de fosfato monoamônico (MAP). 

Depois de secos com ar quente e controlado, é formado um um filme fino e uniforme ao redor do fertilizante, resistente e biodegradável que envolve os esporos do fungo, protegendo-os contra condições adversas, incluindo os fertilizantes químicos. Com o passar do tempo, o filme se degrada e libera, de forma gradual, os esporos no solo, protegendo as plantas.

Como parte da pesquisa, os testes mostraram que, após três meses de armazenamento em temperatura ambiente, os esporos encapsulados mantiveram alta taxa de sobrevivência. Por outro lado, os não encapsulados registraram perda de vitalidade em até mil vezes. O próximo passo é levar a pesquisa à escala comercial e validar o seu desempenho em diferentes culturas e condições de campo.

Esse estudo está no artigo "Encapsulation of Trichoderma harzianum in Carboxymethyl Cellulose Reinforced with Nanocellulose for Delivery as Fertilizer Coatings", tendo Ferreira como primeira autora, publicado na revista ACS Agricultural Science & Technology em fevereiro de 2026. O trabalho científico foi apresentado na 20ª edição do Congresso Europeu de Biotecnologia, organizado pela Federação Europeia de Biotecnologia (EFB) e realizado na Antuérpia (Bélgica), em junho deste ano. A tecnologia também foi pauta de reportagem da Embrapa

A pesquisa contou com recursos financeiros da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA).